Atleta olimpica, Duda é premiada no PBO e fala da sua rotina de treinos, competições e vida pessoal

Publicado em: 11/12/2019 11:52
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Duda, personagem da Entrevista da Semana (Créditos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Ela cresceu com os pés na areia. Desde cedo, acompanhando a mãe rodar pelo Circuito Brasileiro de vôlei de praia, era natural que se apaixonasse pelo esporte e seguisse os passos da família. Eduarda dos Santos Lisboa, ou simplesmente Duda, tem 21 anos e já é uma das principais atletas da modalidade no Brasil. A jovem, natural de São Cristóvão (SE), garantiu, ao lado de Ágatha, uma das vagas para representar o país nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e foi premiada, na noite de ontem (10.12), como melhor dupla de vôlei de praia do ano de 2019.

Tímida fora das quadras, Duda mostra muita maturidade durante as partidas, uma frieza para definir os pontos dignos das mais veteranas no esporte. E foi assim que conquistou o espaço entre os maiores nomes do voleibol de praia no mundo. Campeã do Circuito Mundial em 2018, eleita a melhor jogadora do mundo na mesma temporada, além dos títulos de campeã mundial sub-19 (três vezes) e sub-21 (duas vezes), consolidam a carreira de quem surgiu como grande promessa.

Em entrevista exclusiva para a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), Duda conta um pouco da adaptação ao Rio, o amadurecimento como atleta e a conquista da vaga para Tóquio 2020.

Você surgiu, até de forma precoce, no vôlei de praia como uma grande promessa, mas conseguiu se firmar no Circuito bem rápido, como lida com essa pressão?

Eu sempre escutei que eu seria uma grande promessa. Sempre entrei em quadra no intuito de me divertir, não chegava a sentir uma pressão propriamente. Acreditava que o que tinha que acontecer, aconteceria e seria fruto de muito trabalho. Aconteceu tudo tão rápido, e eu jogava na base mais solta, me divertindo. Nos mundiais que ganhei era assim, me divertia em quadra, não era um peso. As oportunidades de jogar apareciam e eu aproveitava da melhor forma. Hoje tenho mais consciência da responsabilidade do meu papel como atleta, principalmente por tudo que envolve, todas as pessoas que trabalham em volta de mim para que eu consiga alcançar os objetivos.

Agora que a vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 está assegurada, o que passa na sua cabeça?

A primeira coisa que eu penso é que tudo valeu a pena. A recompensa pelo esforço veio. Acho que a ficha ainda não caiu direito, deve ficar mais claro no ano que vem, quando será o ano olímpico de fato, começaremos a preparação, a realidade vai bater a porta. Nós nos preparamos muito, e a sensação é boa. Estar ao lado de alguém com a experiência da Ágatha ajudou bastante, nós soubemos lidar muito bem com tudo. Nosso planejamento foi feito com muito cuidado e deu certo, a sensação é de dever cumprido.

Depois de formar a parceria com a Ágatha você mudou para o Rio, foi morar longe da família, principalmente da sua mãe, que te iniciou no esporte. Como foi a sua adaptação morando sozinha, e quanto esta experiência te amadureceu como atleta?

Hoje é mais tranquilo. Já tenho toda a minha rotina estabelecida, tenho até minha agendinha (risos). Mas o começo, tão nova, foi bem difícil. Eu ficava mais estressada com toda a responsabilidade de cuidar da casa, pagar as contas, cozinhar. Depois de três anos aqui no Rio já estou bem acostumada e adaptada. Minha mãe veio ficar comigo no início, me deu todo o apoio, ajudou em tudo. Hoje o vôlei é 90% da minha vida e ter as responsabilidades da vida adulta me deixou mais focada no que preciso fazer como atleta.

E como é hoje a sua relação com a sua mãe? Ela foi a responsável pela sua iniciação no esporte e treinadora.

Hoje ela só cumpre o papel de mãe mesmo (risos). Ela é uma mãe torcedora, me passa a tranquilidade que preciso quando estou em quadra. Ela me apoia muito e é quem eu mais admiro. É um ídolo do esporte para mim.

E por falar nisso, quem são os seus ídolos?

Além da minha mãe (risos), no vôlei de praia a (Kerri) Walsh é quem eu mais admiro e me espelho. O jeito que ela joga é incrível. A primeira vez que eu joguei contra ela foi numa etapa do Circuito Mundial na Rússia em 2016, eu jogava com a Elize Maia e nós perdemos no tiebreak por 16 a 14, foi um jogo inesquecível. Eu pensava: “nossa, estou jogando contra a Walsh”, foi muito legal. No final eu pedi o top dela, não poderia deixar passar.

Uma curiosidade, se você não fosse atleta de vôlei de praia que carreira gostaria de seguir?

Olha, eu não costumo pensar nisso. Mas gosto muito da área de design de moda, design de interiores, gastronomia. Eu adoro assistir programas de TV sobre gastronomia, acho que poderia ser por aí. Quando eu encerrar a carreira só tenho uma certeza: não vou trabalhar com esporte.


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