Casal cubano cultiva o amor ao esporte no Vôlei Master 2016

Do Caribe para o CDV

15 de novembro de 2016

Tomás e Arianna vivem juntos em Palmas (TO)

(Divulgação/CBV)

Qualquer um que se atreva a fazer uma lista com os melhores jogadores de voleibol da história provavelmente incluirá um ou outro atleta cubano. A ilha caribenha, ao longo das últimas quatro décadas, colaborou bastante para o desenvolvimento da modalidade e atualmente tem seus jogadores espalhados pelos grandes clubes do mundo, inclusive na Superliga 16/17. E no Vôlei Master 2016 não foi diferente. Um casal de cubanos chama a atenção pelos corredores do Centro de Desenvolvimento de Voleibol (CDV), em Saquarema (RJ), seja pelo português carregado de sotaque, seja pelo entusiasmo de seguir praticando o esporte que não faz muito tempo era profissão.

Tomás Aldazabal Manzano, tem 40 anos, e por muito tempo serviu a seleção cubana, chegou a conquistar o título da Liga Mundial em 1998, e hoje atua no AABB Palmas (TO), que terminou em quinto lugar no torneio da categoria 35+. Aldazabal veio ao Brasil movido pelo amor. Há quatro anos ele está na capital tocantinense onde se casou com uma conterrânea e parceira na quadra Arianna Muñoz Caranzana, de 36, que joga pelo meio do Poderosas Fitness na categoria 35+.

“Nos conhecemos nas seleções de base de Cuba, eu tinha 13 anos e ele 14, desde então estamos rodando juntos. Estamos casados há quatro anos. Fui para Tocantins e sou professora de espanhol e nas horas vagas jogo vôlei. Já disputei jogos abertos de São Paulo e outras competições aqui no país. Este é o meu segundo ano no Vôlei Master, em 2015 ficamos em quinto lugar na 35+. A mulherada que joga comigo em Palmas já ficava de olho e dizia que quando eu atingisse a idade eu teria que vir com elas”, conta Arianna que tem uma irmã gêmea medalhista olímpica, Anniara Muñoz, bronze em Atenas 2004.

Aldazabal chegou no Brasil ainda com intenção de seguir jogando profissionalmente, mas uma lesão acabou frustrando os planos de carreira. Mas uma “pelada” com amigos em Palmas mudou a perspectiva do cubano em relação ao esporte que por tanto tempo fez parte quase integral de sua vida.

“Vim para o Brasil por causa dela. Cheguei aqui e a gente casou. Eu já estava fora da seleção cubana, jogando em outros países e eu queria vir com o objetivo de conseguir a documentação brasileira e poder continuar jogando em qualquer lugar. Mas quando cheguei aqui encontrei uma turma doida lá perto de onde moramos e que me convidou para jogar, acabei me contundindo e fiquei de vez. E a brincadeira ficou séria e me trouxe para o Vôlei Master. Foi aqui que percebi que eu ainda posso jogar bem com a idade que tenho”, contou o jogador.

Participar de eventos deste tipo é um estilo de vida que deve ser preservado na visão do casal. Arianna destaca a importância da socialização nos torneios e acredita que é um nicho com bastante potencial para crescer.

“Essa categoria está crescendo muito, além do evento aqui em Saquarema, já há outras competições em Brasília, em Santos e outros lugares, a proposta é muito boa de não deixar as pessoas paradas. Esta socialização é muito interessante e mostra que pessoas com mais de 40 ou mesmo 50 anos podem jogar o voleibol com um nível ainda muito bom. Além de ter a oportunidade de visitar o centro de treinamento da seleção também conta muito. É uma ótima experiência”, disse a cubana que já mora no Brasil há 11 anos.

Para Aldazabal os benefícios dos campeonatos de Vôlei Master vão muito além da quadra. O jogador valoriza o incentivo à saúde que o torneio proporciona ao longo do ano para os amantes do voleibol, já que o nível dos torneios fica mais elevados a cada ano, exigindo mais preparo dos participantes, que levam para casa algo mais importante que o troféu e as medalhas.

“Agora passamos o ano inteiro nos preparando para a disputa aqui e lembrar de como era os tempos de profissional. Já é a terceira vez aqui em Saquarema. Aqui é o centro de treinamento da seleção, que, para mim, é a melhor do mundo, não falta nada aqui. O campeonato é muito bem organizado. O mais importante é que as pessoas estão pregando a saúde, são pessoas que se preparam ao longo do ano, cuidam do corpo e não ficam sedentários em casa. Ganhar ou perder é consequência. A competição como forma de lazer é tão importante que não tem premiação em dinheiro e veja ao redor quantas equipes estão aqui na disputa. É muito bom”, comenta Aldazabal.

O Vôlei Master 2016 teve início no último sábado (12.11) e segue até o dia 19.11 com mais de três mil participantes, divididos em 165 equipes nas competições de quadra e 336 duplas e quartetos na areia. O voleibol indoor conta com as categorias 35+, 40+, 45+, 50+, 55+, 59+, 63+, 67+ e 70+, tanto no feminino quanto no masculino. Na praia existem as categorias 35+, 40+, 45+, 50+, 55+ e 59+ em ambos os naipes. Esta é a décima terceira edição do maior torneio de veteranos de voleibol do Brasil e é organizado pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

O Banco do Brasil é o patrocinador oficial do voleibol brasileiro