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Alison e Bruno levam o ouro em casa e Brasil volta ao lugar mais alto do pódio

após 12 anos

19 de agosto de 2016

Alison e Bruno comemoram o ouro olímpico em casa

(Inovafoto/CBV)

No Rio de Janeiro (RJ) – 19.08.2016

Ao vencerem os italianos Nicolai e Lupo na madrugada desta sexta-feira (19.08), por 2 sets a 0 (21/19, 21/17), em 45 minutos, Alison e Bruno entraram para a história do esporte brasileiro conquistando a medalha de ouro do vôlei de praia nos Jogos Olímpicos do Rio. Em casa, com 12 mil pessoas lotando a arena em Copacabana, fizeram o grito preso há 12 anos na garganta explodir. Foi o terceiro ouro do vôlei de praia brasileiro, repetindo os feitos de Jackie Silva/Sandra Pires (Atlanta-1996) e Ricardo/Emanuel (Atenas-2004).

Ouro de Bruno Schmidt, que ouviu por mais de uma vez que, com a altura que possui – seus 1,85m – não poderia jogar voleibol. Ouro de Alison, que menos de dois anos antes dos Jogos precisou superar uma séria operação no joelho. Em seguida, apendicite. Mais uma vez hospial. Entorse no tornozelo na primeira fase. Felizmente, para o vôlei de praia brasileiro, Alison e Bruno não desistem. Dar-se por vencido não é uma opção para a dupla.

Apontado antes dos Jogos como ‘certeza’ de medalha para o país, o vôlei de praia não decepcionou. Com a prata de Ágatha e Bárbara Seixas, conquistada na última quinta, o Brasil possui agora 13 medalhas no esporte na história do maior torneio esportivo do mundo. É o país com mais medalhas. São três ouros, sete de prata e três de bronze (veja a lista abaixo).

Alison dedicou a medalha para o povo brasileiro e se emocionou ao falar de Emanuel, ex-parceiro e que estava na arena como comentarista.

"É a realização de um sonho, a ficha não cairá tão cedo. Um sonho para meu país, que merece. Quem fez a diferença nesta edição dos Jogos foi a torcida. Empurrou, esteve ao nosso lado nos momentos difíceis. Nos nóssos jogos tivemos torcida, vento, chuva. Um atleta tem que passar por isso para ser campeão, com muita humildade, respeitando os outros", disse o Mamute, que completou.

"O Emanuel me ensinou tudo que sei como atleta, um irmão mais velho. Me mostrou o caminho. Respeitar um adversário, como tratar a bola. Acreditando nos nossos sonhos. Ele estar aqui hoje, comentando nosso jogo, para mim é a realização de um sonho. Entrar para esse grupo seleto de campeões olímpicos é incrível, não tenho palavras. Devo muita coisa a ele e ele sabe disso", completou o capixaba.

Bruno Schmidt ressaltou o apoio do pai, Luiz Felipe, que nunca deixou o filho desistir do esporte, apesar da estatura mais baixa que os rivais.

"Eu falava, ‘pai, não estou perdendo tempo?’ Meus amigos estão formados e eu aqui. Ele nunca me deixou parar, dedico tudo na minha vida a ele. Por conta dele eu estou aqui. Ele sempre acreditou em mim. Mais que eu mesmo. Ele sempre falava que nada chegaria fácil. Quando perdemos o jogo na primeira fase, meu psicológico começou a balançar. Ele novamente disse que seria difícil, mas que eu chegaria, seria campeão", disse o campeão olímpico.

O brasiliense também lembrou do tio, Oscar Schmidt, ídolo do basquete e ínco do esporte brasileiro. Um pedido para que a medalha olímpica fosse conquistada para a família.

"Era algo que queria muito (o ouro), que persegui desde o começo da minha carreira. Fazer isso tornar-se realidade, em frente ao meu povo, aos meus familiares, é algo incrível. É uma conquista não apenas para mim, mas para todos os brasileiros. Meu tio jogou cinco e pediu que trouxesse esse ouro para casa, cumpri a promessa, está aqui", completou Bruno.

Alison e Bruno, campeões mundiais, tinham uma dura parada contra os italianos, bicampeões europeus. Mas dominaram durante praticamente todo o confronto. Alison conseguiu seis bloqueios, contra cinco de Nicolai. Empate em aces, com dois pontos para cada equipe. Empate também em pontos cedidos por erros. Oito para cada lado. A diferença esteve no volume de jogo: 15 defesas certas contra apenas cinco dos italianos.

A campanha dos brasileiros contou com seis vitórias e uma derrota, ainda na primeira fase. Apenas quatro sets perdidos. Eliminaram nas oitavas de final o time da Espanha, ex-campeão europeu, nas quartas de final a dupla norte-americana, com o campeão olímpico Dalhausser, e na semifinal, os ex-campeões mundiais da Holanda. Evolução jogo a jogo.

O Jogo

Os italianos começaram abrindo 5 a 1 em dois bons contra-ataques de Lupo e grandes saques de Nicolai, forçando logo pedido de tempo ao Brasil. Deu resultado. Subindo ponto a ponto, os brasileiros ficaram apenas um atrás: 5 a 6 em ataque para fora de Nicolai. Em bom bloqueio de Alison, o time brasileiro deixa tudo igual: 8 a 8. A virada veio em seguida, em largada no fundo da quadra de Bruno, longe da rede e desequilibrado. Mágico.

Outro bloqueio do Mamute abriu dois pontos na liderança brasileira. No tempo técnico a vantagem verde e amarela era de 11 a 10. Em bola de manchete, passada de primeira para o outro lado, Bruno aumentou a vantagem para três pontos: 13 a 10. A dupla brasileira foi mantendo a virada de bola, alternando largadas e ataques potentes.

Os italianos encostaram no placar. Em largada para fora de Mamute, a bola foi para fora e a diferença caiu para um ponto. No lance seguinte, novo ataque para fora de Alison e empate. A Itália tomou a liderança em novo erro do capixaba, mas a tranquilidade brasileira e erro de ataque de Nicolai devolveram a vantagem ao Brasil: 20 a 19. Na jogada seguinte, bloqueio de Alison. Os italianos ainda pediram desafio, mas não existiu toque na rede: 21 a 19.

O segundo set começou equilibrado, com os dois times trocando várias vezes a liderança no placar nos primeiros pontos. Um ponto para dar moral e levantar a arena, após longuíssimo rally, terminou com ataque forte de Alison, sem defesa. Os italianos, porém, estavam em melhor momento. Em bloqueio sobre Alison, anotaram 8 a 5 no placar. O Brasil pediu tempo.

Alison encontrou bons bloqueios e diminuiu uma vantagem que chegou a ser de três pontos, para apenas um. Na parada técnica o placar era de 11 a 10 para os europeus. Os brasileiros voltaram para o jogo e abriram 16 a 14 em grande bloqueio de Alison. A torcida explodiu em uma largada maravilhosa de Bruno Schmidt, abrindo três pontos de frente.

Alison acertou bom bloqueio, mas houve toque na rede. Na sequência, ataque para fora do Mamute e o placar mostrava 19 a 17. Nicolai errou um saque e facilitou a vida do Brasil, que teve o ponto da medalha de ouro. No lance seguinte, em jogada confusa, o árbitro marcou quatro toques e a arena explodiu. O Brasil era ouro no vôlei de praia após 12 anos.

MEDALHAS DO VÔLEI DE PRAIA BRASILEIRO NOS JOGOS:

OURO – Jackie Silva/Sandra Pires (Atlanta-1996), Ricardo/Emanuel (Atenas-2004) e Alison/Bruno (Rio-2016)

PRATA – Adriana Samuel/Mônica Rodrigues (Atlanta-1996), Adriana Behar/Shelda (Sydney-2000), Ricardo/Zé Marco (Sydney-2000), Adriana Behar/Shelda (Atenas-2004), Fábio Luiz/Márcio Araújo (Pequim-2008), Alison/Emanuel (Londres-2012) e Ágatha/Bárbara Seixas (Rio-2016)

BRONZE – Adriana Samuel/Sandra Pires (Sydney-2000), Ricardo/Emanuel (Pequim-2008) e Juliana/Larissa (Londres-2012)

HISTÓRICO: ALISON E BRUNO SCHMIDT

Alison e Bruno se juntaram no começo do ano de 2014. O capixaba encerrava um ciclo com Emanuel e desejava voltar a morar em Vitória. O convite para formar dupla foi feito a Bruno Schmidt, que vinha jogando ao lado de Pedro Solberg e se destacava nos circuitos nacional e internacional. Bruno, que morou boa parte da vida em Vila Velha, gostou da ideia e ambos foram treinar ‘em casa’, sob comando do técnico Leandro Brachola.

Os dois chegaram a jogar juntos em 2005 e 2006, quando ainda iniciavam nas areias do Espírito Santo. Conquistaram o bicampeonato do SuperPraia e embalaram no Circuito Mundial em 2015. Foram campeões do principal evento do ano, a Copa do Mundo, na Holanda, e das etapas da Suíça, Japão, EUA, Polônia e EUA (World Tour Finals).

Alison, que é flamenguista apaixonado e quando criança queria ser jogador de futebol, começou a jogar vôlei no tradicional clube capixaba Álvares Cabral, em 2001. Em 2004, depois de assistir aos jogos de Loiola e de Fábio Luiz, principais representantes do Espírito Santo nas areias, começou a pensar em trocar de quadra.

Começou nas areias com seu atual técnico, Leandro Brachola, inicialmente servindo de sparing para Loiola, catando bolas nos treinos. A convivência com grandes ídolos fez o amor crescer pela praia, assim como os bons resultados colhidos nas categorias de base. Mamute também já passou por momentos de provação na carreira. Operou o joelho no fim de 2014, em 2015, perto do retorno, teve uma apendicite, mas superou tudo.

Quando não está treinando ou jogando, o "Mamute" gosta de escutar música, viajar, e de navegar na internet, além de estar com seus familiares. Também adora passear com seu buldogue King em um dos seus carros modificados, outra de suas paixões.

Sobrinho do ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, Bruno começou no vôlei de quadra em 2002, no Iate Clube de Brasília. Antes, porém, já brincava no vôlei de praia em peladas na cidade de Cabo Frio (RJ), onde passou boa parte da infância, atuando ao lado do pai, Luiz Felipe. Também jogou basquete em Brasília, mas somente nas categorias de base.

Iniciou na praia em 2004 e, no ano seguinte, começou a participar regularmente do Circuito Banco do Brasil. Sempre precisou provar que a estatura considerada baixa não impedia de ser um grande atleta. Em 2006, foi campeão mundial sub-21 com Pedro Solberg. Formou longa parceria com o capixaba Billy e com o próprio Alison, atual parceiro, no início da carreira. Neste período já era comandado por Brachola, seu atual treinador.

Bruno é fã de esportes radicais como o surfe, windsurf e skate, mas pouco os pratica pela vida corrida de atleta e cuidados com o corpo. É um exímio saxofonista, gosta de estar com a esposa e os familiares, além de ouvir música e assistir filmes. Os Jogos do Rio serão a segunda participação olímpica de Alison e primeira de Bruno Schmidt.